Ugly Kid Joe: apresentação no dia dos pais esquentou Porto Alegre

Posted: 13 de Agosto de 2012 in Reviews
Banda Ugly Kid JoeBanda Ugly Kid JoeBanda Ugly Kid JoeBanda Ugly Kid JoeBanda Ugly Kid JoeBanda Ugly Kid Joe
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Ugly Kid Joe – 08/2012, um álbum no Flickr.

UGLY KID JOE

Opinião, Porto Alegre/RS (12/08/2012)

Este foi um domingo de muitas confraternizações em Porto Alegre. Para as famílias mais unidas, era dia dos pais; para os emocionados por futebol, era dia de vitórias da dupla gaúcha e, finalmente, para os fãs de rock n’roll, era o dia do primeiro encontro gaúcho com o UGLY KID JOE, banda de grande sucesso dos anos 90, mas que encerrou as atividades há 15 anos, deixando suas marcas na história do rock. Alguns de seus hits irreverentes perduram tocando até hoje nas festas de rock mundo a fora.

Chegando ao Opinião tive um rápido choque devido a pequena quantidade de pessoas que estavam no local, inferior à minha expectativa para este show, pois acreditava que seria um grande evento e com maiores proporções. Talvez pelo longo período que o conjunto esteve longe da cena rock, o público possa ter demorado a associar o poder musical do Ugly Kid Joe, o que não podemos afirmar de muitos fãs que lá estavam e cantaram enlouquecidamente todo o set list.

Logo no início com a banda de abertura CARTEL DA CEVADA, já começou a aparecer mais gente na pista. Cogito que o excesso de comemorações daquele domingo fez com que o povo chegasse ao evento mais tarde. Foi uma escolha muito acertada colocar esta banda ícone do rock gaúcho para a abertura do show, e para mim era difícil imaginar alguma outra que mais se igualasse ao clima de irreverência também apresentado nos clássicos da banda principal.

O Cartel entra em palco anunciado por nada mais nada a menos do que o próprio Diabo, interpretado por Guilherme Santto, isto mesmo, Santto é o nome do Diabo (risos). As participações desta figura são sempre muito divertidas, trajando pilcha (vestimenta folclórica gaúcha), com pintura vermelha, chifres, cuspindo fogo e distribuindo cerveja ao público. Mas logo após o diabo, a primeira música já faz o público começar a curtir muito e inicia o aquecimento no melhor clima possível com a “A Puta mais Feia”. Não tem como não divertir-se com a situação contada nesta letra. Neste momento o público já aumenta consideravelmente e vai chegando com um sorriso no rosto ao perceber o que está tocando. Logo já entra “Chokin” e o baixista Richard Zimmer veste seu chapelão a moda Tio Sam, potencializando o clima de animação do show. Igor, vocal e guitarra, anuncia um novo trabalho da banda, “A Barbada”, que tem um clima mais cadenciado que o apresentado nas outras músicas.

O show seguiu com “Caminhoneira” e “Brujeria”, duas ótimas músicas, pesadas e divertidas para o público bater a cabeça e rir um pouco. Então, ao som de “O Diabo é da Fronteira”, Santto volta ao palco, mas desta vez cuspindo fogo, fazendo caretas e “elucidando” bem a ideia da música. Igor agradece muito o público presente e pede que se divirtam, mas agitem mais, pois aquilo ali é um show de Rock. Na última música, homônima a banda, a figura do diabo volta ao palco, mas desta vez ele oferecia cerveja ao público mais próximo da banda em um cano longo com um funil aonde ele despejava a garrafa. Preciso dizer que tomar cerveja desta forma e oferecida pelo chifrudo é para os fortes. O Cartel certamente é uma banda local que já se estabilizou como um grande expoente da música pesada gaúcha. Até mesmo Whitfield Crane, vocalista do Ugly Kid Joe, estava curtindo emocionado ao lado do palco, gritando algo que não consegui entender, mas certamente era de boa impressão quanto ao que estava ouvindo, mesmo não entendendo nada das letras, naquele momento o rock’n’roll era o idioma principal e isto também ele entende muito bem.

Então era a hora da grande atração da noite o Ugly Kid Joe, que entra pontualmente às 22hs. Eles vêm com vontade, animação e carisma, principalmente por parte de Crane, onde ressalto que há muito não via uma interação e carisma tão grande de bandas estrangeiras. Gesticulava, pulava, brincava, chamava o público de todas as formas possíveis se fazendo entender. Após uma rápida introdução, inicia com “VIP”, uma mensagem perfeita em relação a esta moda de pessoas e áreas Vips em tudo que é show, sempre com os valores exorbitantes, porém mais próximos a banda. Engraçado, isto foi escrito a mais de 15 anos atrás e continua muito recente. Ao ouvir os primeiros acordes de “Neighbor” duvido que algum fã, ou mesmo mero espectador da MTV dos anos 90, não tenha imediatamente recordado do clipe sujo e divertido desta música. Não era para menos, pois a galera cantou junto o refrão e Crane incitava ainda mais para que os gritos fossem mais altos.

Foi a primeira vez que vejo no Opinião alguém subir no amplificador mais alto localizado atrás da bateria, o baixista, Cordell Crockett, é realmente muito louco e enérgico, bem no estilo Flea. (baixista do Red Hot Chilli Pepers). Mas a energia de Crane e Cordell não foram os únicos diferenciais de emoção por parte da banda, Shannon Larkin, o baterista maluco, também impressionou e muito, ele esmurrava a bateria enlouquecidamente, como estivesse torturando ou lutando com alguém, urrava e brincava com as baquetas de todas as formas possíveis. Durante o show Crane fez muitas brincadeiras com o público pedindo que gritassem mais alto, então comparava qual dos lados da plateia era melhor, sempre expressando que estava fraco e queria mais. Em um dos momentos de interação com o público ele pediu que as pessoas se aproximassem mais do palco, então falou rapidamente sobre o retorno e o novo EP após 15 anos. Então tocaram as primeiras músicas do show que saíram deste novo trabalho “No One Survives” e “Devil’s Paradise”, muito bem recebidas pela plateia. Nesta última música Crane sobe também no amplificador, chamando a atenção da galera com sua animação em palco.

Então chegou um dos grandes momentos do show, a execução de “Cats in the Cradle” que, mesmo não sendo uma música de autoria da banda, emociona os presentes que sabiam cantar estrofe por estrofe. Logo após, Crane pede novamente ao público que se aproxime do palco, mas desta vez ele brinca individualmente com algumas pessoas na plateia, apontando para elas, quase como se as conhecesse. Apertando as mãos de vários fãs a frente do palco, iniciam “I’m Alright” do novo EP, música esta que tem tudo haver com o retorno. Após mais algumas músicas muito divertidas, vem um clássico absoluto como cover, “Sweet Leaf” do Black Sabbath para surpresa do público que cantou junto animadíssimo, mas talvez esperassem por N.I.B. que teve uma versão muito boa em um álbum tributo ao Sabbath. Logo depois da ótima “Madman” é executada “Goddamn Devil” e mais um surpresa é oferecida ao público, agora vota ao palco Santto, o Diabo da Cartel da Cevada, mas desta vez ele já entra cuspindo fogo e agitando. Ficou claro que a integração entre as bandas também foi muito especial, muitos dizem que Crane é um dos melhores anfitriões que já se apresentou ali, inclusive atendeu pessoalmente o pedido de alguns fãs por água em frente do palco.

A última música antes do bis é um mais um cover, que ao menos para mim foi ainda mais inesperado que o outro, agora era “Dirty Deeds” do ACDC, que novamente leva a plateia à loucura e prova a qualidade dos músicos ao interpretar clássicos do Rock. Em seguida vem a já conhecida saidinha para um rápido repouso, mas logo voltam com “God”. O público pede sonoramente por “So Damn Cool”, mas provavelmente estava fora do set e a escolhida foi “Sandwich”. Neste momento Crane novamente prova que tem um carisma excepcional e além de agradecer ao público presente, também agradece a companhia dos membros da banda, incluindo seu técnico de som, que por sinal realizou um dos melhores trabalhos de equalização dos últimos shows que presenciei no Opinião Bar. Depois de mais algumas piadas sobre os integrantes da banda, tocam Clover e então, em meio a rápidos “medleys” como Holy Diver do DIO, Crane faz uma apresentação mais completa dos integrantes, onde cada um tocava um pouco mais do seu instrumento em sua vez.

Ao final do show, Crane anuncia que finalmente chegava a hora da música mais esperada da noite, ou aquela que o público estava ali esperando, não prestei bem atenção na brincadeira, mas foi algo assim. E então entra “Everything About You”, o maior hit da banda e talvez a música que milhares de pessoas, ausentes neste show, conhecem do Ugly Kid Joe e, até mesmo sem saber o autor, já ouviram pelo menos uma dezena de vezes. Foi neste último momento do show que aconteceu uma das cenas mais impressionantes e divertidas, principalmente em relação à preocupação de Crane com seus fãs. Um fã, maluco provavelmente (risos), pula empolgadamente do palco sem dar tempo que alguém pudesse segurar seu “mosh”, caindo diretamente no chão. Crane fica visivelmente muito preocupado, apontando e perguntando ao fã louco se estava bem, sem parar a música, mas com total atenção no movimento do público. Assim que percebeu que o rapaz aparentemente estava bem, ele vai ao backstage, pega um copo de cerveja e chama o rapaz para frente do palco, oferecendo a cerveja diretamente ao “acidentado” e logo pede ao público que o ovacione pela sua “ação suicida”. A banda sai do palco agradecendo e deixando, acredito que em muitos, uma dualidade de sentimentos. A satisfação por participar de um evento com tanta qualidade sonora, tanto por parte da equipe de som e produção quanto pelos músicos em si. E a insatisfação pelo fim desta festa inexplicavelmente tão íntima que foi show do Ugly Kid Joe.

por Caesar Cezar de Cesar

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