Flogging Molly: apresentação em festa no Opinião em Porto Alegre

Posted: 10 de Novembro de 2012 in Reviews
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Flogging Molly – 11/2012, um álbum no Flickr.

FLOGGING MOLLY

Opinião, Porto Alegre/RS (09/11/2012)

Definitivamente aquela sexta-feira, 9 de novembro de 2012, foi um dia especial e cheio de opções para o público Rockeiro de Porto Alegre. Na zona norte da capital estaria em palco uma lenda do hard rock, mas isto é assunto para outro texto. Aqui falaremos sobre o FLOGGING MOLLY, uma banda estadunidense de Celtic Punk, ritmo interessante que mistura o velho punk rock com flautas, violino, acordeão, bandolim entre outros instrumentos “estranhos” que dão o ar folclórico na medida certa ao som. Devido aos custos e a vontade de aproveitar uma festa que aconteceria no mesmo bar logo após o show, resolvi aproveitar e conhecer ao vivo este som que alguns amigos pareciam adorar porém eu jamais tinha ouvido. Que decisão acertada tomei, pois fui presenteado com uma grande surpresa, um show acima do nível de muitos que já presenciei, seja na sonoridade, na animação ou na criatividade, tudo perfeitamente nivelado. Certamente este foi meu “grande achado” do ano de 2012, pois ainda não havia encontrado nada novo, mesmo que novo apenas para mim, que realmente tivesse agradado e me feito fã.

Como é de costume quando trata-se da Abstratti Produtora, a banda de abertura iniciou perfeitamente no horário programado, 19 horas, infelizmente antes mesmo que eu conseguisse chegar. Quando entrei no local já tive uma impressão bem diferente e até certo ponto estranha. Estava no palco o Supla, sentado de lado para a plateia, completamente louco, tocando bateria e cantando. Melhor dizendo tratava-se da dupla Suplicy, os quais acredito ser os dois únicos filhos de políticos que parecem não querer seguir a política e enriquecer mais facilmente do que com a música, talvez por ser fácil demais. Intitulado BROTHERS OF BRAZIL, um nome muito bem escolhido, chama a atenção e expõe suas origens. Eles fazem parte da mesma gravadora da banda principal, portanto, tenho de parabenizá-los não só por isso quanto pelo que estavam executando, algo ainda mais estranho do que o que estava por vir. Tratava-se de uma Bossa Nova Punk, sim, isso mesmo que escrevi, acredite. Mas meu espanto não parava por ai, também era incrível ver como apenas duas pessoas em palco, com bom humor e muita animação ao executar suas canções, conseguiam tomar a atenção do público. Olhares e ouvidos atentos pareciam impressionados com o que viam.

Nesta apresentação tive alguns momentos de gargalhadas como que estava ouvindo, posso dizer que um deles foi ao ouvir “Chove Chuva”, sim, na versão punk bossa nova e, como se isso não bastasse, ainda teve uma versão bem animada de “Imagine” do Lennon. Um show muito agradável em que apenas dois músicos conseguiram chamar a atenção do público em cada verso. É difícil comentar as músicas executadas pelo grupo pois até o momento não conhecia qualquer uma delas, mas todas foram agradáveis. Destacaria as músicas “Garota de Berlim”, “I hate the Beatles” e a grande finalização, com direito a “quebrar tudo”: “Brothers of Brazil”. Acredito que este encontro de ritmos foi uma ótima escolha para abertura do evento, pois me pareceu muito ligado ao que a banda principal faz, misturar folclore com punk rock e a Bossa Nova não deixa de ser, generalizando, um pouco de folclore Brasileiro.

Pouco antes do início do próximo show o público já se aproximava mais do palco, aglomerando-se. Aparentemente houve um aumento do número de pessoas na casa, o que parecia ser verdade, pois durante o show da banda de abertura pude perceber muitas pessoas paradas no lado de fora, inclusive não pareciam demonstrar qualquer intenção de entrar e ver o show. Pouco antes do início do show, dei uma passada na área de fumantes e percebi que aquele pessoal todo havia entrado, não eram poucas pessoas. Isso foi estranho, no entanto, felizmente, fez com que a casa ficasse mais preenchida, provavelmente aumentando o prazer da banda em tocar para um público maior. Logo em seguida, entra em palco o FLOGGIN MOLLY, com um som quase acústico e de sonoridade muito agradável, pelo que procurei depois, a música chama-se “Likes of you Again”. Mas foi apenas alguns segundos desta calmaria e já foi dado início a uma grande festa punk-irlandesa com uma pegada incrivelmente empolgante. Mal podia acreditar no que estava ouvindo, a todo momento vinha a minha cabeça: Como eu não conhecia essa banda, é muito divertido e bem feito.

Definitivamente o Bar Opinião foi transformado em um Pub Irlandês, cada música executada dava mais razão a esta máxima. Esta mudança de ares não se deu apenas pela formula sonora da banda, mas também pelos trajes que podiam ser vistos nas dependências do bar, pessoas que pareciam ter recém-chegado da Irlanda. Além disso, até mesmo eu sentia uma vontade inevitável de tomar uma ceva a cada música, de brindar a animação e a festa que ali estava acontecendo. Quanto a sonorização, percebi algo diferente, parecia estar muito baixo o som, algo incomum para a banda principal nesta casa de shows, porém logo percebi que desta forma conseguia ouvir todos elementos adicionais incluídos nos arranjos. Havia muita flauta, violão e acordeon entre outros equipamentos que caso não estivessem perfeitamente equalizados com o restante elétrico, não teríamos a oportunidade de ouvi-los tão nítidos. Neste momento passou a ser um ponto muito forte do show para mim. Conseguir ouvir tudo o que era executado em palco e ainda ouvir o público gritando enlouquecidamente e batendo palmas, muitas palmas o tempo todo.

Em certo ponto do show, após algumas interações do vocalista, Dave King, comecei a perceber como estava tendo dificuldade para entender seu inglês. Nas primeiras vezes eu pensei não estar prestando muita atenção, mas logo comecei a tentar e perceber que tinha algo de estranho, difícil e enrolado. Bem, talvez por ter nascido na Irlanda, ele deve manter suas raízes. Não sei ao certo, mas era mais difícil que de costuma. Enfim, dentre suas muitas interações com o público, percebi que ele falou muito animado sobre nunca ter vindo ao Brasil e que não se emocionava tanto desde a morte de seu pai (espero não ter entendido tudo errado, mas aparentemente foi isso). Interessante, pois em diversos momentos ele agradeceu ao público presente, ao carinho do povo brasileiro, também ao amigos da Brothers of Brazil, mostrando que realmente é uma pessoa muito simpática e comunicativa. Todos seus companheiros de banda pareciam igualmente empolgados e felizes de estar ali, tocando para um público igualmente animado.

Bridget Regan, a moça responsável pelas flautas e violinos, também nos presenteou com sua bela voz. A certa altura do show, depois de um emaranhado de ótimas músicas, 100% novas para mim, então é hora de um cover de Bob Dylan completamente reinventado pela banda, a música era “Times they are a changing”. Na música seguinte, acredito que “Black Friday Rule”, os músicos começaram a retirar-se do palco um a um, até que restou apenas Dennis Casey, um guitarrista muito entusiasmado, que iniciou um solo muito legal, destes cheios de sons extraídos de pauladas na guitarra. Seguido por muitas palmas enquanto arrastava sua guitarra no chão, o maluco deixa seu instrumento soando no chão e parte para um stage dive que mostra claramente como a banda estava empolgada com a receptividade dos fãs. Logo após esse mergulho junto ao público a banda volta e continua a mesma música, acredito eu, porém agora King está carregando um instrumento estranho e tipicamente Irlandes, algo parecido com um tamborim, achatado, ninguém sabia dizer o nome, mas procurando na internet encontrei seu nome: “bodhrán”.

A noite parece estar chegando ao se fim, mas a diversão do show cada vez é maior. King faz muitas brincadeiras com o público, interagindo bastante com os fãs. Inclusive dedica a música “ If I Ever Leave this World Alive” a amizade. Realmente, o ritmo e o refrão desta música, mesmo não sendo rápida como outras, leva todos presentes a bater canecos, levantar seus copos de plástico e confraternizar ainda mais. Após quase vinte músicas muito divertidas, finalmente a banda sai para o conhecido tempinho e retornam para o bis rapidamente. Até estranhei a saída, pois tudo indicava que não haveria o mínimo tempo de descanso para o público e a banda, tamanha era a animação. Agradecendo e brincando com o público, mas agora somente guitarra, voz e gaita, tocam “Worst Day Since Yesterday” com a companhia emocionada de muitas palmas. Ao despedir-se do público a banda, ainda em palco, já começa a dar autógrafos e, para finalizar o grande momento de sintonia com o público, alguns dos músicos descem diretamente do palco para cumprimentar seus fãs. Realmente, um momento especial em um show impressionante que nos teletransportou para Irlanda por quase duas horas e felizmente nos trouxe de volta muito satisfeitos.

Setlist
01-Likes of you Again
02-Swagger
03-Speed of Darkness
04-Revolution
05-Tenament Square
06-Whistles the Wind
07-Saints and Sinners
08-Drunken Lullabies
09-Requiem for a Dying Song
10-Powers Out
11-Praying for me in Silence
12-Times they are a changing
13-Black Friday Rule
14-Oliver Boy
15-Rebels of the Sacred Heart
16-Devil’s Dance Floor
17-If I Ever Leave this World Alive
18-What’s Left of the flag
19-Seven Deadly Sins
20-Worst Day Since Yesterday
21-Salty Dog
22-Float

por Caesar Cezar de Cesar

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