Biohazard: máxima sinergia entre fãs e banda em Porto Alegre

Posted: 15 de Março de 2013 in Reviews
Banda BiohazardBanda BiohazardBanda BiohazardBanda BiohazardBanda BiohazardBanda Biohazard
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Biohazard – 03/2013, um álbum no Flickr.

BIOHAZARD

Opinião, Porto Alegre/RS (14/03/2013)

Pela segunda vez em Porto Alegre, o BIOHAZARD, banda que praticamente criou um estilo próprio, que posteriormente foi atualizado, misturando hardcore, metal e hip-hop. Na última quinta-feira, dia 14 de março, mesmo após uma sucessão de falhas, tive finalmente a oportunidade de ver esta banda pela primeira vez. Infelizmente na outra passada deles por aqui eu não estava muito atento ao cenário e só fiquei sabendo do show alguns dias após. Muito ouvi falar sobre a falta da voz principal da banda, e também baixista, Evan Seinfeld, porém, preciso ser franco, para mim, que não tenho todos os parâmetros de comparação, absolutamente não fez falta, pois Billy Graziadei, assumindo seu posto, fez valer o retorno a esta cidade como se nunca tivesse acontecido qualquer mudança.

Como já estou me acostumando, cheguei ao show na hora marcada, 21 horas, infelizmente era possível ouvir as bandas passando som, isto realmente me desanimou. Gosto muito de elogiar as produtoras quando cumprem seus cronogramas, isso parecia estar melhorando aqui, mas parece que ainda há produtoras descompromissadas com seu público. A casa nem sequer estava aberta no horário marcado. Pra dizer a verdade, não foi só isso que me assustou ao chegar lá, o público também era muito pequeno, coisa de menos de 100 pessoas e os shows já deveriam estar iniciando. Mal sabia eu que ainda esperaria quase duas horas. Vou parar por aqui com as críticas, visto que o importante mesmo é o grande show que estava por vir.

Grosseria, a banda, mais uma vez, convidada como open act, inicia seu show por volta das 22h40min. Ainda há muito pouca gente em frente ao palco, muitos resmungos sobre o atraso, mas a pancadaria finalmente tem início no Bar Opinião. A equalização do som estava boa, sendo visivelmente atrapalhada pela falta de público, deixando o som muito “vazado”, ou “estourando”. Foi a primeira vez que assisti esta banda, não conheço seu repertório, mas gostei muito do que vi. O vocalista apresenta-se com muita energia, subindo nos amplificadores atrás do palco, chamando o público para mais mosh pits. O som da banda é um hardcore intenso e muito bem executado, principalmente pelo guitarrista Rick Santos, desempenho que merece atenção.

Suas letras claras, em bom português e visivelmente críticas, facilitam ao público acompanhar e dar uma boa resposta à performance em palco. Leandro Padraxx, o vocalista enérgico, faz um longo discurso sobre a necessidade publico comparecer nos show, para apoiar a vinda de mais bandas, porém acho que ele deveria ter, pelo menos rapidamente, pedido desculpas ao mesmo público por todo atraso, pode não ser sua culpa, mas a produtora tinha esse dever que não fez. Quase no final de seu show, este mesmo rapaz eufórico, desce do palco e canta uma música no meio do público. Certamente foi uma ótima ideia para energizar o pessoal que ainda estava devagar, ainda havia muitos espaços abertos em frente ao palco.

Então, após um longo intervalo, uma nova falta de respeito com o público, finalmente, quase meia-noite, entra em palco o tão esperado Biohazard, já soltando de primeira um de seus grandes clássicos e talvez a minha preferida: Shades of Gray. Este show deveria ser o lançamento último álbum, intitulado “Reborn in Defiance”, muito bom por sinal, fazendo valer os sete anos de espera dos fãs. Escrevi “deveria”, pois não senti falta de clássicos e também foram tocadas apenas duas músicas deste novo trabalho: “Vengeance Is Mine” e “Come Alive”. Esta última, cantada na sua versão em português, mas preciso confessar que estava enrolado de mais para compreender.

A sonorização novamente atrapalhando o show, infelizmente essa noite foi repleta de falhas, pareciam querer sabotar este show, mas isto não aconteceu, ainda que mal conseguisse se ouvir a voz do baixista “Scott Roberts”, que se esforçou muito em seu novo cargo. Na segunda música da noite: “Wrong Side of the Tracks”, ela seria cantada mais por Scott do que pelo carismático “Billy Graziadei”, no entanto, todos os músicos em palco pareciam pedir por ajuda, não se ouvíamos os vocais e aparentemente para eles também algo estava errado, pois todos se entreolhavam e pediam auxilio da equipe de palco. O microfone do lado esquerdo do palco permaneceu baixo o show inteiro, sendo necessário usar os outros microfones. O som em momento nenhum ficou claro como deveria, era necessário procurar um local mais próximo à mesa para ouvir com mais qualidade.

Apesar de todos os problemas a banda não deixava o clima esfriar, paulada após paulada sonora, muita mosh-pits e stage dives. Por sinal, depois de certo tempo de show, dei uma nova olhada no público e percebi que incrivelmente a casa estava mais cheia, parecia ter triplicado o público desde o primeiro show. Talvez isto seja uma impressão apenas devido ao público ter se posicionado mais a frente do palco, todavia, foi muito bom, a banda parecia mais próxima dos seus fãs e muito animada com o show. Acredito que um pouco desta falta de público teve relação com a saída do Sepultura do cast do evento, reagendado para pouco mais de uma semana depois.

Voltando ao show, nada do que aconteceu de ruim nesta noite diminuiu a animação contagiante da banda em palco, pulando, berrando, pedindo retorno do público e gerando muita “pancadaria amiga”, se é que esta expressão existe. A resposta dos fãs obviamente foi no mesmo nível. Em “Urban Discipline” o público está insano, pulando muito e cantando cada estrofe junto com Billy, que até ajuda um fã a subir no palco na música seguinte. Logo após tocar “Victory”, Billy oferece um de seus discursos críticos à mídia, pedindo que o público grite: “Fuck Globo” e obviamente é respondido como ele esperava.

A humildade deste front-man é impressionante e esta noite forneceu alguns momentos fantásticos de sinergia entre banda e fãs. Exemplos disso foram a preocupação dele com um fã em um stage dive azarado, caindo diretamente no chão e o show praticamente parando para ter certeza que o rapaz estava bem. Mas os dois momentos mais incríveis da noite, que para mim foram únicos e que não lembro a última vez que vi algo assim. Primeiro foi em “Punishment”, quando praticamente todo público subiu ao palco em um stage invasion. Algo que só lembro-me de ver em vídeos antigos. Era realmente muita gente, mal havia espaço para os músicos, eles se batiam em fãs para chegar aos microfones e ainda assim a música foi tocada até o final. Muitos agradecimentos em meio a berros de fãs. É impossível descrever perfeitamente com palavras, procure no youtube e entenderá.

Mesmo depois de tudo isto, quando o show já estava visivelmente por terminar e todos clássicos já haviam sido tocados, eu ainda tive a oportunidade de ver o que pra mim foi o segundo momento mais incrível, talvez muitos nem tenham percebido, ou dado alguma atenção, mas este que vos escreve achou fantástico. Falo do momento em que o fantástico “Billy Graziadei” pula de pé com a guitarra no público e é segurado, em pé tocando e fazendo sinais de desaprovação aos seguranças que tentavam conter o público, que considerado família por ele. Realmente um show histórico, pelos problemas da produção e pela fantástica apresentação da banda. Foi uma noite incrível, um show curto e impressionante que certamente deixou todos satisfeitos e aguardando seu retorno.

por Caesar Cezar de Cesar

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