Andre Matos: ingressos esgotados e fãs emocionados em Porto Alegre

Posted: 4 de Maio de 2013 in Reviews
Banda André MatosBanda André MatosBanda André MatosBanda André MatosBanda André MatosBanda André Matos
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André Matos – 05/2013, um álbum no Flickr.

ANDRE MATOS

Teatro CIEE, Porto Alegre/RS (03/05/2013)

Mais uma vez o metal sai das típicas casas de show e invade, com muita classe, um local voltado a outro público. Seria difícil encontrar alguém melhor que ANDRE MATOS para reger esta belíssima mudança de ares, visto que o cara é cantor, compositor e maestro. Novamente em Porto Alegre, mas sempre trazendo um pouco de novidades, desta vez temos um novo álbum “The Turn of the Lights” e, principalmente, a grande comemoração dos 20 anos do lançamento da sua mais aclamada obra “Angels Cry”.

O sucesso deste show já era claro alguns dias antes, quando a Abstratti Produtora, responsável local do evento, noticiou que todos ingressos já tinham sido vendidos. Certamente muitos fãs ainda ficaram de fora, pois o lugar comporta apenas algo em torno de 400 pessoas, no entanto, para um show nacional, de uma banda que não é novidade na cidade, este “sold-out” foi o reconhecimento da importância deste álbum na vida de muitos metaleiros.

A banda de abertura escolhida foi o KING OF BONES, quarteto paulistanos de muita competência, que iniciou sua apresentação pouco após as 20 horas, sem delongas, foram logo apresentando músicas muito bem formuladas. Fiquei impressionado por nunca ter ouvido falar da banda, obviamente isto não quer dizer muito, pois não ando fazendo meu dever de casa com as bandas nacionais. Deixando o “mea culpa” de lado, fico feliz em ver o nível que as bandas brasileiras atingiram. A cada música que era executada vinha o pensamento de que não poderia esquecer-se de conferir o trabalho que estavam lançando: “We Are the Law”. A música de abertura foi a homônima do álbum, tomando conta do público já de cara.

Com um desempenho muito bom e uma voz naturalmente forte, que parecia usar pouco efeito de sustentação, Júlio Federici conseguiu segurar a atenção do público, retirando destes alguns singelos socos no ar. Bater a cabeça em um teatro soaria estranho, mas alguns pareciam estar dispostos, caso não estivessem sentados. O som me interessou por deixar bem clara suas influências, boas e diversificadas, porém, conseguindo não imitar e não ser simplesmente mais do mesmo, talvez por me recordar coisas boas, tive uma receptividade maior que o normal.

Nenhum dos músicos deixou nada a desejar, adicionaria apenas uma guitarra base para não dar tanto trabalho ao talentoso Rene Matela, pois este passou trabalho nos pouco mais de 30 minutos de show. Nem mesmo as cordas da guitarra aguentaram e terminaram rompendo durante a execução fantástica de “Perry Mason” (Ozzy Osbourne). Rafael Vitor (baixo) e Renato Nassif (bateria) regem o andamento destruidor da sonoridade desta banda. Ao final do show todos se juntaram para receber uma salva de palmas, típica do ambiente em que estavam inseridos, vinda de um público exigente, porém, calorosamente receptivo.

Após cerca de 30 minutos de correria e troca de equipamentos, é iniciada uma introdução em “playback”, não gosto muito disto, mas já estou acostumado. Então, depois de cinco dispensáveis minutos, finalmente ANDRE MATOS entra me palco ao som de “Liberty”. Apresentando uma qualidade sonora já esperada para uma banda como esta, liderada por um maestro e tocando em um teatro, foram executadas sem muita cerimônia “I Will Return” e “Course of Life”. Ao final desta segunda canção Andre brinca estar regendo uma orquestra, quem sabe isto seja uma de suas aspirações para o futuro.

Após as três músicas que abriram este espetáculo, Andre resolve conversar um pouco com o público, seu carisma já é conhecido, então faz alguns agradecimentos, principalmente para o publico, pela presença, receptividade e obviamente, pelo sold-out da bilheteria. Relembra sua última passada pelas nossas terras, junto ao VIPER no ano passado, um show que tinha uma bagagem histórica muito semelhante a este. Dentre piadas e comentários, diz que ainda cantará muito naquela noite, pois ninguém teria hora para ir para casa e, além disso, imagens desta noite estariam sendo coletadas para o lançamento de um DVD.

Desnecessariamente lembra a tragédia em Santa Maria, porém, tem o objetivo de esclarecer que o público metal, apesar de marginalizado na sociedade, é claramente mais educado que o normal e a casa também oferece segurança, enfim, podemos sentar e nos divertir sem qualquer receio. Finaliza seu longo discurso explicando que a noite será dividida em dois atos, dos quais, em minha opinião, o segundo era certamente o mais esperado pela maioria.

As músicas executadas na sequência fazem o público vibrar e cantar muito, “Rio” e “Fairy Tale”, a segunda acompanhada de palmas emocionadas pela maioria do público, principalmente de alguns que, nesta hora, já estavam em pé em frente ao palco. Ficar contido em sua confortável poltrona seria impossível, para um fã, há esta hora. Eu estava sentado próximo aos P.A.s, sentindo como se estivesse tudo no volume máximo, porém, ao me posicionar melhor, percebi que o som ecoava perfeitamente dentro da casa. A emoção coletiva ao som de “Lisbon” era fantástica, mas não me impressiono, pois estes três primeiros álbuns do ANGRA são obras inestimáveis do heavy metal nacional. Contudo, ao ver toda essa euforia, já podia imaginar o que estaria por vir no segundo ato deste show.

Entre cada música, o front-man muito carismático, agradece muitas vezes ao público, fazendo sua parte como ídolo de muitos ali presentes e promovendo o respeito de seus fãs. Quando Rodrigo Silveira, inicia seu fantástico solo de bateria, pedindo feedback do público, este responde tranquilamente a cada batida. Um solo longo que, devido ao volume alto, unido a ressonância no teatro, que nos fazia tremer nas cadeiras, fez soar um pouco repetitivo, mas nada que tirasse o brilho de sua execução.

O momento mais divertido desta noite estava reservado para a introdução de “Living for the Night” do VIPER, quando Andre resolve dar o microfone para os fãs cantarem, neste momento pude entender por que ele está no palco e muitos outros não. A desafinação é impressionante, obviamente eu também estaria nesta lista de reles mortais que não conseguem manter o tom, mas a brincadeira foi divertida, ele mesmo tenta ajustar o tempo de um garoto, mas não havia jeito. Então finalmente decide passar o microfone em frente e, após uns três desastres, finalmente eis que surge uma moça que chegou a receber palmas. Enquanto executava esta última música que foi feita a apresentação do pessoal, obviamente que todos são velhos conhecidos do público, talvez Rodrigo, por ser o último a integrar o grupo, ou o baixista Bruno Ladislau, ainda assim, duvido que alguém não conheça esses nomes. Certo é que a dupla de guitarras Hugo Mariutti e André Hernandes já é praticamente um conjunto uniforme e inseparável em palco.

Depois de quase uma hora e meia de show acaba o primeiro ato, incrível, fiquei pensando se realmente haveria gás para um segundo ato, porém, a prova veio logo. Menos de 10 minutos já estavam em palco novamente, o que mal deixou tempo para tomarmos uma cerveja na rua, visto que não é possível beber dentro de teatro, uma lástima para o metal, mas vamos ao que interessa. Finalmente chagamos ao segundo ato do show e o momento mais esperado da noite, a execução na integra do clássico álbum lançado em 1993. Quando votei, infelizmente já estava ao som de “Carry On”, um grande erro e, portanto, decidi não arredar mais o pé, ficando completamente boquiaberto e feliz ao ouvir os clássicos que movimentaram a minha juventude. Acho que este álbum tinha tudo para ser reclassificado como Opera Heavy Metal, principalmente pelos seus andamentos que tangem a música clássica.

Aqui sou obrigado a fazer um manifesto, quero expressar meu apoio incondicional a esta ideia de comemorações, ou execução de álbuns clássicos na íntegra. Muito já ouvi que isto é uma forma de fazer dinheiro, chega disso, por favor, se as músicas foram compostas pela banda, nada há nada mais justo. Além disso, como fã é um completo deleite. Por mim, todas as bandas com mais de 20 anos deveriam fazer isto hoje, pois é a chance de revivermos bons momentos, ou mesmo vive-los pela primeira vez. Não paro por ai, ainda que unicamente sob o meu ponto de vista, depois da virada do século, não foi feito nada que realmente tenha o poder de mudar nossas vidas e nossos conceitos sobre música, como acontecia antigamente.

Muito bem, votando ao ANGRA, ou Andre Matos, já estava me sentido um pouco perdido, tamanha a sensação de nostalgia daqueles momentos. Então fomos presenteados com um solo, agora de guitarra, executado por Andre, que depois de brincar e tocar, literamente chama Mariutti ao palco. Ao entrar em cena ele produz um novo momento emocionante para alguns, ele faz uma breve homenagem ao recém-falecido Jeff Hanneman do Slayer, tocando os primeiros acordes de Black Magic, quem conhece percebe e grita de volta. Muitos solos, muita destreza, garra e energia, mas este segundo ato ocorre sem muito papo com o público, que também parece estar também em completo êxtase. Andre ainda vem ao palco com uma câmera, filmando alguns momentos do público para usar no DVD que já havia mencionado. Mariutti ajoelha-se em frente aos fãs em uma de suas interações bem representativas da energia que estas músicas passam. Mal percebi e já estava em “Lasting Child”, fechando este maravilhoso show, sem bis é claro, porém deixando todos com a sensação que o ato inteiro era o próprio bis. A banda despede-se calmamente de seus fãs e deixa marcado em seus corações o reencontro seu passado.

por Caesar Cezar de Cesar

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