RPM: anos 80 na veia em Porto Alegre

Posted: 9 de Junho de 2013 in Reviews
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RPM – 06/2013, um álbum no Flickr.

RPM

Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre/RS (08/06/2013)

Só quem viveu entusiasticamente a incrível década de 80 tem condições de saber a espécie de sentimento que se passa ao assistir ao vivo o quarteto formado por Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Paulo P.A. e Fernando Deluqui. Juntos eles explodiram, cerca de 30 anos, atras com a banda RPM. Os saudosistas gaúchos da capital tiveram essa incrível experiência no último sábado dia 08 de junho aos pés do palco do Teatro do Bourbon Country.

Uma atrolhada plateia de balzaquianas e tiozinhos se amontoava quando, com 45 minutos de atraso, os caras finalmente se deram ao desfrute de aparecer. A hiperbólica produção da turnê contava com telão de LED gigantesco ao fundo que passava os momentos mais marcantes do grupo em sua carreira. Os caras estavam se achando no “Hollywood Rock”.

Clássicos, covers e novidades não faltaram. Mérito aos clássicos e covers, pois as novidades deixaram bastante a desejar. Nem empolgaram nem surpreenderam. O caráter “eletrônico” da sonoridade proposta não impressionou ninguém. Afinal, o pessoal foi lá aquela noite para matar saudade mesmo. Matar saudade de canções eternas como “Rádio Pirata”, “Olhar 43”, “Alvorada Voraz”, “Loiras Geladas” e “Vida Real”. Mais covers de entidades-oitentianas como Barão Vermelho, Legião Urbana, Pink Floyd e Commodores. Essas execuções levantaram o entusiasmo dos presentes.

Muito legal, diga-se de passagem, a atitude durante o bis. Levantaram no ar todos os cadeirantes e os puseram no palco junto aos artistas para participar dos últimos momentos do show. Sem mais delongas e com todos os poréns, foi um ótimo espetáculo e o que se via na saída era um público agraciado com a experiência. I wanna rock n’ roll all night.

por Fernando Tedesco

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Grave Digger – 05/2013, um álbum no Flickr.

GRAVE DIGGER

Beco, Porto Alegre/RS (30/05/2013)

O coveiro volta ao sul, após longos anos, para contar suas histórias emocionantes!

Após 10 anos desde de nosso último encontro, finalmente, pude rever o GRAVE DIGGER, uma das poucas bandas que consegue se manter fiel ao heavy metal tradicional a mais de 30 anos, sem aderir a modas musicais para entrar no “mainstream”. Desta vez o palco escolhido foi o Beco, uma casa que vem recebendo uma sequência muito boa de shows e propicia um ótimo ambiente para este para este mercado, do som mais pesado e menos comum. OS fãs ficam mais próximos da banda, o show parece mais “aquecido” pelo público e, certamente, isto reflete positivamente no ânimo dos músicos.

Banda alemã com pontualidade britânica, será? Até poderia ser, mas como já acompanho o desempenho da produtora responsável por este show, posso garantir que isto foi obra da Abstratti. Um das poucas que, quando divulga um cronograma, cumpre à risca.

Pontualmente às 20 horas, vejo a banda saindo do camarim e dirigindo-se ao palco, sou obrigado a engolir rapidamente minha cerveja e correr. Esqueci de mencionar: devido a censura livre deste evento, as bebidas alcoólicas só eram vendidas em um ambiente separado e controlado. Atitude rara em eventos musicais nesta cidade. Vejo isto com bons olhos, pois nós adultos temos muito tempo para beber antes e depois do show e, desta forma, abre-se espaço para “qualificar” o gosto musical de nossa juventude, fatidicamente manipulada pela moda.

O show inicia claramente enfatizando o último trabalho do coveiro, “Clash Of The Gods”, com introdução e música título do álbum, seguida por “Death Angel & the Grave Digger”, assim como no CD. Logo após essa entrada climática atualizada, Chris Boltendahl, nos saúda com um rápido boa noite e da início a sua bela coleção de histórias bélicas Escocesas. Chris ensina a qualquer “astro” o que é ser um front-man de verdade, muito receptivo e carismático, ele sabe como empolgar seus fãs desde o princípio.

Depois de lamentar os dez anos que não vinha a Porto Alegre, pede que todos cantem a próxima com ele, ensinando seus fãs a fazer o coro de muitas vozes em “Ballad of a Hangman”. O retorno na história da banda é iniciado neste momento, quando Chris remete seus fãs à meados de 2000, tocando a bela “The House” e recebendo um sonoro acompanhamento de palmas. Após mais um conto bélico escocês, somos trazidos de volta ao presente da banda, navegando agora pela mitologia grega com “Meduza”.

Ao anunciar o contexto da próxima canção: Uma espada na pedra, o publico grita por “Excalibur”, mas Chris acha muito fraco e pede que gritem ainda mais alto. Eu mesmo ajudei a entonar o berro, pois está é uma de minhas músicas preferidas do Grave Digger. Não me espantei ao notar que todos a minha volta cantavam juntos o refrão, praticamente abafando a voz em palco. Após um medley de ótimas canções, em versões bem curtas, provavelmente para conseguir repassar bem toda história da banda, “Knights of the Cross” é executada e, mais uma vez, o refrão é cantado junto, em alto e bom som.

Uma brincadeira sobre tocar a última música da noite deixa algumas pessoas assustadas e muitos gritos de “Não” ecoam pela casa. Felizmente era uma piada, pois ainda havia uma boa soma de peso e animação a ser exibida naquela noite. Axel Ritt, guitarrista e último membro a entrar na banda, mostra toda sua emoção ao reproduzir tantos clássicos do heavy metal, ajoelhando-se em palco, tocando sua guitarra com muitas facetas e solos eufóricos, aparentando realmente amar muito os acordes que produz.

Chris tenta exemplificar o quanto o Brasil é especial para ele, dizendo que a próxima música fala como ele se sente em nosso pais: “Home At Last”. Parece mesmo frase pronta, dita em todas nações que passa, porém, ao pedir as palmas do público, todos respondem imediatamente e fazem valer a emoção do momento.

O ápice da sinergia com os fãs ocorreu quando, com apenas um acorde, todos na casa entoaram a estrofe introdutória de “Rebellion”, o maior hit da banda. Era impressionante, nem mesmo com o microfone no máximo Chris seria ouvido, todos pulavam muito e era possível sentir o chão tremer. As palmas também foram uníssonas quando Hans Peter sintetizou o som da gaita de fole, tão importante nesta música. Logo após este momento único, a banda sai de palco para uma rápida tomada de fôlego, voltando ao som de gaitas de fole, desta vez, para sintonizar no clima de “Highland Farewell”.

Após “The Last Supper”, Chris pergunta se ainda queremos mais uma e solta o clássico absoluto, consagrado por ser o princípio de tudo: “Heavy Metal Breakdown”. Mais uma vez o “novo” guitarrista se mostra muito emocionado, praticamente deitando no chão ao tocar e solar e ao final do show faz muito barulho com a guitarra em sua nuca, enquanto o público emocionado ovaciona muito. Os fãs faziam muito barulho, cantarolavam “Olê-olê” sob a regência do seu ídolo em palco e pareciam não acreditar que o show tinha chegado ao seu final. Reverenciando seus fãs, a banda se despediu de Porto Alegre e deixou todos muito satisfeitos com este retorno, após tantos anos.

por Caesar Cezar de Cesar

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Yes – 05/2013, um álbum no Flickr.

YES

Oi apresenta Araújo Vianna, Porto Alegre/RS (26/05/2013)

Sem brincadeira. Provavelmente uma das bandas que, até pouco tempo, jamais se imaginaria tocando em solo gaúcho. YES, um dos conjuntos mais marcantes, importantes, relevantes, alucinantes, viajantes e mais um monte de “antes” da história da música e do rock do século XX esteve em Porto Alegre no, recentemente reinaugurado, auditório Araújo Vianna, no domingo, dia 26 de maio.

A turnê dos caras é uma celebração aos álbuns: “Close to the Edge”, “Going For the One” e “The Yes Album”. Os mais marcantes da cronologia da banda e que foram apresentados na íntegra. Uma quebradeira de execuções psicodélicas. LSD é para os fracos. O canal é ir num show do YES.

A formação do grupo atualmente é uma amálgama tão heterogênea quanto suas composições. No vocal, quem está segurando no momento é o fabuloso Jon Davison, que entrou no lugar de Jon Anderson (atualmente em carreira solo). Da formação original e tocando o terror nos ouvidos mais despreparados, permanece apenas o baixista Chris Squier. Os membros da era considerada clássica, Steve Howe (guitarra) e Alan White (bateria) fizeram verter sangue dos poros dos mais fracos. E completando o time com maestria estava o avassalador, porém menos expressivo, tecladista Geoff Downes.

Após a exibição de um vídeo fazendo um apanhado de imagens do início e auge da carreira ao som do clássico “Excerpt from Firebird Suite”, por volta das 21h, os músicos entraram no palco levando o auditório lotado a um surto coletivo. Embora menos familiar dos fãs, o relativamente jovem Jon Davison ganhou a simpatia de todos não só com uma voz poderosíssima interpretando o disco “Close to the Edge”, mas também com um carisma extraordinário.

O show ganhou sequência com a íntegra do LP “Going For The One”. Divertidíssimo era ver o Chris Squire avacalhando os entusiastas do baixo enquanto desafiava a técnica com um instrumento de três braços. Dones (teclado) impressionou pela altíssima fidelidade com que tirava os timbres inconfundíveis e lendários criados pelo tecladista original Rick Wakeman. Mesmo assim, o que levantou as ancas da plateia de verdade foi a última música: “Awaken”, considerada por muitos como o maior “mega-pop-hit” dos caras.

“Yours is no Disgrace” abriu a parte “The Yes Album” da apresentação. Neste ponto, a comoção geral externou-se ao solo de violão de Steve Howe sozinho no palco em “Clap”. Já o bis, veio só para acalmar fãs mais exaltados que precisavam ver e ouvir a banda tocando “Roundabout” (musica que foge completamente da proposta da turnê).

À Roma o que é de Roma. Impressionante a qualidade de som que, tanto a engenharia de áudio conseguiu extrair do equipamento, como que o espaço proporcionou. Extremamente nítido, sem jamais ser forte ou fraco demais. Cada nota de cada instrumento podia ser perfeitamente distinguida.

Depois de falar sobre 2h30 de rock-doentio, não quero me despedir sem mencionar a impressionante quantidade e lealdade de fãs que o YES tem no sul do Brasil. Ilusoriamente, este humilde repórter considerava os ingressos caros demais e acreditava ser hiperbólica a escolha de um auditório com uma capacidade tão grande. Ledo engano. Estava quase lotado de roqueiros de todas as partes do Estado que vieram em caravana para derrubar as estruturas. Parabéns aos gaúchos que mantém o rock vivo. Parabéns ao YES que se nega a morrer. Keep on rockin’!

por Fernando Tedesco

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Morbid Angel – 05/2013, um álbum no Flickr.

MORBID ANGEL

Opinião, Porto Alegre/RS (21/05/2013)

Parece mentira, mas no meu tempo de guri, se alguém dissesse que o MORBID ANGEL tocaria em Porto Alegre, eu certamente diria: Tu está louco meu amigo, essa banda é muito extrema e não há público para isso aqui. Felizmente os tempos mudam e agora, com a capital gaúcha na rota do metal, pude finalmente ver ao vivo uma das primeiras bandas de death metal que tive contato.

Há exatos 20 anos, ouvi falar do lançamento daquele tal “Covenant”, fui a uma loja local, pedi para ouvir e, naquele momento, entendi o que era metal extremo. Claro que, ainda no mesmo dia, terminei conhecendo outras aberrações como Cannibal Corpse, que no mês seguinte voltará a tocar neste mesmo palco, e eu estarei lá novamente. Foi neste clima de boas lembranças, que tirei do fundo do guarda roupas aquela camisa velha, comprada na mesma época, e me dirigi ao Opinião para ter meus ouvidos massacrados mais uma vez.

A escolha da banda de abertura não podia ser mais acertada, IN TORMENT. Mais de 15 anos de história, demos e CDs lançados, material novo previsto ainda para 2013, turnê europeia recente, são provas que, mesmo não sendo um estilo mainstream, a banda é um exemplo gaúcho de experiência no metal extremo, uma das poucas que resistiu ao tempo e se mantêm neste estilo. A IN TORMENT possui uma sonoridade certamente muito influenciada pelo Morbid Angel, desta forma, a receptividade do público foi exatamente como esperado, muitos berros e atenção aos riffs carregados de peso e agressividade, produzidos por Rafael Giovanoli e Alexandre Graessler, liderados pelo potente vocal de Alex Zucchi.

Já tive a oportunidade de vê-los, no mesmo palco, abrindo um dos shows do Cannibal Corpse e preciso dizer: A entrada no time dos músicos Dionatan Britto e Bruno Fogaça, bateria e baixo respectivamente, pode ser considerado um marco desta evolução, pois a pegada ficou ainda mais forte e precisa, além do entrosamento que atingiu um nível profissional.

Iniciando os trabalhos ainda antes do relógio bater 20 horas, a banda apresentou um pouco do melhor de seu material. Partindo com a principal música de seu primeiro full-length, na sequência repassando um pouco de seu último álbum e dando destaque a música que recentemente recebeu um clip, muito bem produzido por sinal, “Into Abyssal Landscapes”.

Um show rápido, mas não curto, como normalmente são as bandas de abertura. Por algum motivo, que felizmente não desagradou o público, o que ocorreria caso não fossem tão competentes, foi liberado pelo menos mais três músicas, fazendo o show passar dos míseros 30 minutos que normalmente são cedidos para as bandas de aquecimento.

Poucos minutos após o telão baixar já iniciou a movimentação para o próximo show, porém, desta vez era diferente, os próprios músicas estavam arrumando seus equipamentos. Imagino dezenas de motivos para isto ocorrer e não me importo com nenhum, na hora só pensei: Que legal, ninguém melhor que eles mesmos para fazer soar bem Morbid Angel. Dizem que pontualidade é coisa de britânico, mas estes americanos foram além, iniciando o show antes mesmo da hora marcada. Por mim tudo bem, já estava lá esperando ansiosamente por eles, assim como muitos outros que somavam um público satisfatório para metal extremo, ainda no meio da semana.

Após a rápida passagem de som, o primeiro a entrar em palco definitivamente é o baterista Tim Yeung, que atualmente supri a falta do grande Pete Sandoval, lembrado por muitos durante o show, principalmente ao exaltarem suas camisas do Terrorizer. Após uma baquetada certeira, o resto da banda entra em palco despejando acordes barulhentos, pois é impossível recriar os riffs invertidos da fantástica “Immortal Rites” que abre de forma destruidora o set list da noite. David Vincent parece feliz ao inicio do show, dançando discretamente ao ritmo destes acordes tão clássicos (ao menos para mim). Já nesta primeira música conseguiram hipnotizar completamente a audiência, principalmente em momentos como a passagem vocálica onde David parece louvar o senhor da morte, descrito na letra. “Fall From Grace” é emendada, infelizmente a única representante do álbum “Blessed are the Sick”.

Ainda com muita adrenalina, David cumprimenta o público, diz que tem muito para tocar ainda para nós e solta a fantástica “Rapture”, primeira porrada death metal que meus ouvidos levaram na vida, a muitos e muitos anos atrás. Trey Azagthoth e Destructhor pareciam estar em um jogo de futebol, fazendo um uma “tabelinha“ incrível de solos. É impecável a precisão de toda banda em palco, mas a sonoridade desta música fazia o público berrar e pedir por mais porrada, novamente parecia uma hipnose em massa dos fãs.

Os intervalos entre as músicas eram os breves momentos de descanso aos nossos pescoços. Talvez, devido esta receptividade intensa, que David agradeceu por ainda existir fãs tão extremos que estavam ali para ouvi-los. Em “Maze of Torment”, os moshs tomam uma intensidade agressiva, abrindo um enorme espaço no público. Mas o front-man parecendo não se importar muito com isto, provavelmente já acostumado, pediu que os fãs batessem forte os pés em resposta a porrada sonora que vinha do palco. Solos rápidos, barulhentos e técnicos, muita pegada e energia.

Chegou o momento de apresentar as músicas novas, felizmente foram poucas, eu queria mesmo os clássicos. Enquanto a banda tocava “Existo Vulgoré” e “Nevermore”, encontrei muitos amigos da velha guarda respirando um pouco, mais distantes do palco, ou voltando daquela corrida ao banheiro. Foi visível a preferência do público ao anunciar a retomada à discografia antiga. Então, voltando ao clássico “Altars of Madness”, executam ”Lord of All Fevers and Plague” e “Chapel of Ghouls”, esta última é finalizada com uma fantástica performance solo de Azagthoth, enquanto o restante da banda toma folego fora do palco.

Após esta rápida saída, voltam para finalizar o show, tocando mais alguns clássicos que faltavam na noite, como “Where the Slime Live”, “World of Shit (The Promised Land)“, além daquela super climática: “God of Emptiness”, que deve ser um de seus maiores hits. Um show único e matador, curto, porém suficiente, lotado de clássicos que alucinaram os fãs do metal extremo presentes no evento. Como disse um amigo: O show devia estar previsto para durar duas horas, mas eles tocam tão rápido, que em uma hora estavam todos liquidados e satisfeitos (risos).

por Caesar Cezar de Cesar

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Velhas Virgens – 05/2013, um álbum no Flickr.

VELHAS VIRGENS

Opinião, Porto Alegre/RS (19/05/2013)

Domingo chuvoso, um tempo realmente “broxante”. Mas, ainda assim, o Velhas Virgens fez mais um show excitante nesta capital que visita regularmente. Desta vez a desculpa para beber e tocar (risos) é a comemoração de 15 anos do lançamento do álbum Vocês Não Sabem Como É Bom Aqui Dentro, aclamado pela maioria dos fãs como o melhor na carreira da banda. É fácil mensurar a importância deste álbum para o Velhas Virgens, basta perceber que boa parte das faixas, compostas na verdade a mais de 15 anos, jamais saíram do set-list principal de seus shows, ainda que tenham lançado mais 10 ótimos álbuns em todo este período de forte atividade.

A banda de abertura era mais uma vez Tia Sila, mas infelizmente não consegui chegar a tempo para assistir ao seu show. A chuva chata e uma gripe, que fizeram o dia todo ser muito ruim, quase me fizeram perder o espetáculo desta noite. Foi somente pensando na diversão garantida do show do Velhas Virgens que consegui tomar forças e sair. Não me arrependi e ainda me surpreendi com o público, muito mais do que o esperado para aquela ocasião. É incrível como esta banda ainda consegue encher uma casa aonde eles tocam quase que uma vez por ano. Estão de parabéns por conseguir viver mais de 25 anos de rock’n’roll independente neste pais tão “carnavalesco”.

Por volta das 21:30 é dado início a festa com uma introdução que mais parecia algo pós-festa, uma música típica de ressaca, pelo menos o tipo que eu normalmente ouço neste momento. A banda vai entrando em palco um a um, bem tranquilos, até a chegada de Paulão, vestindo uma túnica azul, desenhada com luas e estrelas, e uma cartola amarela. Acredito que sua ideia com este traje exótico era parecer um mago da cerveja, ou algo parecido, foi no mínimo engraçado. Ao pegar os microfones Paulão já inicia cantarolando Sapato 36 do Raul Seixas, acompanhado de todo público presente. Em virtude desta entrada, nada mais óbvio do que já começar o show com Já Dizia O Raul. A escolha desta entrada mostra que a ideia era mesmo tocar o álbum na íntegra, porém alterando a ordem das canções para o show não ser tão previsível.

Na sequência da música que deu título ao álbum da noite, que embalava a festa, tocam Beijos No Corpo e já se vê muitas camisinhas voando pelo Opinião, provando que a baixaria já estava disseminada. Ao final Paulão comenta sobre os grandes músicos que participavam das gravações nesta época da banda, a exemplo desta última canção que conta também com Rita Lee no vocais. Ao perceber algumas brigas desnecessárias em frente ao palco, Paulão pede calma, mais calma, pois afinal, é uma noite de festa e comemoração. Mas fica difícil pedir calma e logo tocar uma música rápida e divertida como Eu Bebo Sim, novamente o público fica ensandecido, pulando e dançando freneticamente.

Após 15 ou 20 minutos de boa música e muita animação, surge aquele momento legal de dar boa noite, agradecer a presença das pessoas e conversar um pouco. Paulão certamente poderia fazer uma apresentação como stand-up comedy, pois consegue tomar muito bem a atenção do público e muitas risadas, ao brincar com a vendagem do álbum na época, com a lojinha que estava montada perto da escada, vendendo material oficial do Velhas Virgens e como sempre, faz muita sacanagem com seu amigo que cuida da loja, conhecido por Edu, (que eu acredito ser Edu Gago, ex-baixista da banda, mas não tenho certeza…).

Juliana, como de costume, entra vestida com uma mistura entre diaba e Angus Young, para soltar o berro em Mulher Do Diabo. Abre Essas Pernas é tocada em harmonia absoluta com o público que, ao final do leilão, sempre elogia muito a pobre Juliana. Acho esse momento, em que os dois vocalistas brincam e se divertem em palco, a parte mais divertida do show. Interpretações engraçadas de suas próprias músicas para alegrar o público. Como em Não Vale Nada, quando “Juju” entra no palco vestida de noiva e dizendo que ninguém ali valia nada. No meio da música, seu vestido é arrancado e por baixo está um corpete muito sensual, fazendo contraste com Paulão e sua super barriga à mostra ao som de Selvagem Do Asfalto.

Em Uns Drinks o público ajuda muito a manter o clima do show no seu máximo, destaque para a gaitinha de boca muito bem executada por Paulão. Fazem uma rápida parada, até que Juju volta para apresentar a banda em meio a muitas brincadeiras. Após a execução completa e muito bem feita do álbum da noite, sob uma ordem bem diferenciada das música, ainda há tempo para algumas músicas, de outros discos, que também nunca saem de seu set, como Cafajeste, …Pra Ver Se Come Alguém e Toda Puta Mora Longe.

Já perto do final do show, Paulão agradece às bandas locais que o convidaram para participar de suas gravações, como Cartel da Cevada. Este agradecimento obviamente veio junto com uma brincadeira de que ele só ajudou a piorar o trabalho destes, mas sabemos que isso é só uma piada mesmo. Finalizam a noite ao som de Minha Vida É O Rock’n’Roll, completamente no ritmo da noite. A banda inteira se mostra muito feliz em palco e ao final se despede do público junto a muito barulho. Mais uma vez o Velhas Virgens vem a Porto Alegre e nos proporciona uma grande festa, regada a muito rock’n’roll, cerveja e poesia no estilo “frases de caminhão” (risos).

por Caesar Cezar de Cesar

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Ufo – 05/2013, um álbum no Flickr.

UFO

Teatro do CIEE, Porto Alegre/RS (12/05/2013)

A capital mais austral do país foi invadida. As tropas invasoras chegaram, botaram a baixo as estruturas e explodiram os cérebros de quem estava presente. Calma, pois a população e o modo de vida dos gaúchos estão a salvo. Quem pousou no Teatro do CIEE em Porto Alegre no último domingo, dia 12 de maio, não foram alienígenas, mas sim, os professores do rock e metal da banda UFO.

Ao lado de precursores como Deep Purple, Black Sabath e Led Zeppelin, UFO impulsionou o rock em meados das décadas de 60/70 ao caminho histórico que conhecemos tão bem hoje. Com menor notoriedade que os outros conjuntos citados, mas não menos relevante, os caras verteram na direção de um rock mais experimentalista durante sua jornada. O que acarretou em uma formação bastante itinerante. Grandes nomes como Michael Schenker, Jason Bohan e Billie Sheehan fizeram parte do grupo. Hoje, da formação original restam os lendários Phil Mogg (vocal), Andy Parker (bateria) e Paul Raymond (guitarra e teclado), este último assumiu a posição em 1976. Claro que os “moleques” Vinnie Moore (guitarra) que integra a formação atual e Rob De Luca (baixo), contratado para a turnê, não poderiam deixar de ser citados.

Como bom roqueiro que sou, sempre fico cabreiro com shows em teatros. Todo mundo sentadinho em silêncio como que admirando uma ópera não me soa adequado à proposta que o estilo impõe. Mas essas eram as condições do espaço para o espetáculo e, considerando a faixa etária “old school” do público presente, não parece ter sido um problema. Outro aspecto interessante que a idade dos fãs parece influenciar bastante é o fato de todo o material de merchandising à venda ter se esgotado. Pois é. A velharada tem mais dinheiro pra gastar do que esses gurizinhos que vivem de mesada.

Por volta das das 20h15 os coroas subiram no palco e atravessaram com uma lança os corações de todos tocando “Lights Out”. A qualidade do som estava excelente. Ainda mais comparando com outras oportunidades em que Teatro do CIEE deixou muito a desejar nesse quesito. Mas voltando ao show, a empatia de Moog com o público e carisma do vocalista se destacaram. Claro que o maluco não tem mais o gás nem a vitalidade que outrora a juventude lhe proporcionava, mas ainda é invejável sua atuação tanto como frontman quanto como cantor. A sinestesia do cara com a plateia era tanta que, de forma inédita para este que vos fala, a galera chegou a sugerir musicas e mudar a ordem do repertório. Aterrorizante também, diga-se de passagem, foi a atuação de Vinnie Moore. É uma barbaridade quanto o meliante toca. Mesmo a princípio sendo pouco ovacionado por se tratar de um membro recente e menos conhecido por parte dos admiradores, o cara conquistou seu espaço no carinho do público no momento que quase atravessava a guitarra em dois a base de palhetadas precisas e cirurgicamente bem colocadas.

A banda não deixou de executar vários de seus maiores clássicos como “Love to Love”, “Too Hot Too Handle” e “Rock Botton”. Já “Doctor Doctor” e “Shoot Shoot” foram reservadas para um bis direcionado a um publico já de pé (lembra do comentário de “todo mundo sentadinho”?) pirando na batata e espumando pela boca de tanto rock de altíssimo nível injetado nas artérias.

Porto Alegre está muito bem servida de shows esse ano. Está previsto mais coisa, mas coisa grande e poderosa por aí. Estamos sempre ligados e vida longa ao rock n’ roll.

por Fernando Tedesco

Rufus Wainwright: deleita os gaúchos

Posted: 11 de Maio de 2013 in Reviews
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Banda Rufus Wainwright

Rufus Wainwright – 05/2013, um álbum no Flickr.

RUFUS WAINWRIGHT

Teatro Bourbon Country, Porto Alegre/RS (10/05/2013)

Porto Alegre agora é rota de passagem para grandes espetáculos internacionais. O que pode ser um tiro no pé, dependendo do ângulo que se olha.

RUFUS WAINWRIGHT, um dos mais notórios cantores pop do cenário internacional nos últimos anos, se apresentou na capital na última sexta-feira, dia 10 de maio, para um público muito aquém do esperado. Previsível, levando-se em conta a enxurrada de shows agendados por aqui para os próximos quinze dias. Na rota da turnê em território tupiniquim, apenas as cidades de Porto Alegre e São Paulo estavam inclusas.

Fazendo uma apresentação solo, executando um fantástico piano de cauda e alternadamente dois violões (um deles cor-de-rosa com estampa da Hello Kitty), das 21h30 até as 22h30 o artista encantou uma platéia hipnotizada. Bastante conversador e descontraído, intercalou muitas vezes o show para contar suas desventuras e motivações artísticas, desde sua sensação de conforto em usar aquela calça extravagante diante dos porto-alegrenses até causos bizarros ocorridos durante a noitada em uma boate gay, na capital paulista, na noite anterior.

Embora a turnê seja motivada pela divulgação do último álbum “Out of the Game”, apenas quatro músicas deste trabalho foram apresentadas, o restante ficou a cargo de clássicos como “The Art Teacher”, “Cigarettes and Chocolate Milk”, e “Hallelujah” de Leonard Cohen.

Marcante também foi a quantidade de erros na execução do artista. Em alguns momentos esqueceu as letras das músicas a ponto de pedir para a platéia lembrá-lo, se desmembrando com muita simpatia.

RUFUS WAINWRIGHT proporcionou uma belíssima experiência aos ouvidos dos gaúchos. Que os grandes shows continuem se direcionando ao sul do país, afinal merecemos um pouco de afago já que somos tão exigentes.

SET LIST

1- The Art Teacher

2- This Love Affair

3- Matinee Idol

4- Vibrate

5- Out of the Game

6- Jericho

7- Who Are You New York?

8- Martha

9- Memphis Skyline

10- Hallelujah

11- California

12- 11:11

13- Going to a Town

14- Pretty Things

15- Montauk

16- Zebulon

17- Cigarettes and Chocolate Milk

BIS

18- Millbrook

19- Candles

por Fernando Tedesco

Banda André MatosBanda André MatosBanda André MatosBanda André MatosBanda André MatosBanda André Matos
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André Matos – 05/2013, um álbum no Flickr.

ANDRE MATOS

Teatro CIEE, Porto Alegre/RS (03/05/2013)

Mais uma vez o metal sai das típicas casas de show e invade, com muita classe, um local voltado a outro público. Seria difícil encontrar alguém melhor que ANDRE MATOS para reger esta belíssima mudança de ares, visto que o cara é cantor, compositor e maestro. Novamente em Porto Alegre, mas sempre trazendo um pouco de novidades, desta vez temos um novo álbum “The Turn of the Lights” e, principalmente, a grande comemoração dos 20 anos do lançamento da sua mais aclamada obra “Angels Cry”.

O sucesso deste show já era claro alguns dias antes, quando a Abstratti Produtora, responsável local do evento, noticiou que todos ingressos já tinham sido vendidos. Certamente muitos fãs ainda ficaram de fora, pois o lugar comporta apenas algo em torno de 400 pessoas, no entanto, para um show nacional, de uma banda que não é novidade na cidade, este “sold-out” foi o reconhecimento da importância deste álbum na vida de muitos metaleiros.

A banda de abertura escolhida foi o KING OF BONES, quarteto paulistanos de muita competência, que iniciou sua apresentação pouco após as 20 horas, sem delongas, foram logo apresentando músicas muito bem formuladas. Fiquei impressionado por nunca ter ouvido falar da banda, obviamente isto não quer dizer muito, pois não ando fazendo meu dever de casa com as bandas nacionais. Deixando o “mea culpa” de lado, fico feliz em ver o nível que as bandas brasileiras atingiram. A cada música que era executada vinha o pensamento de que não poderia esquecer-se de conferir o trabalho que estavam lançando: “We Are the Law”. A música de abertura foi a homônima do álbum, tomando conta do público já de cara.

Com um desempenho muito bom e uma voz naturalmente forte, que parecia usar pouco efeito de sustentação, Júlio Federici conseguiu segurar a atenção do público, retirando destes alguns singelos socos no ar. Bater a cabeça em um teatro soaria estranho, mas alguns pareciam estar dispostos, caso não estivessem sentados. O som me interessou por deixar bem clara suas influências, boas e diversificadas, porém, conseguindo não imitar e não ser simplesmente mais do mesmo, talvez por me recordar coisas boas, tive uma receptividade maior que o normal.

Nenhum dos músicos deixou nada a desejar, adicionaria apenas uma guitarra base para não dar tanto trabalho ao talentoso Rene Matela, pois este passou trabalho nos pouco mais de 30 minutos de show. Nem mesmo as cordas da guitarra aguentaram e terminaram rompendo durante a execução fantástica de “Perry Mason” (Ozzy Osbourne). Rafael Vitor (baixo) e Renato Nassif (bateria) regem o andamento destruidor da sonoridade desta banda. Ao final do show todos se juntaram para receber uma salva de palmas, típica do ambiente em que estavam inseridos, vinda de um público exigente, porém, calorosamente receptivo.

Após cerca de 30 minutos de correria e troca de equipamentos, é iniciada uma introdução em “playback”, não gosto muito disto, mas já estou acostumado. Então, depois de cinco dispensáveis minutos, finalmente ANDRE MATOS entra me palco ao som de “Liberty”. Apresentando uma qualidade sonora já esperada para uma banda como esta, liderada por um maestro e tocando em um teatro, foram executadas sem muita cerimônia “I Will Return” e “Course of Life”. Ao final desta segunda canção Andre brinca estar regendo uma orquestra, quem sabe isto seja uma de suas aspirações para o futuro.

Após as três músicas que abriram este espetáculo, Andre resolve conversar um pouco com o público, seu carisma já é conhecido, então faz alguns agradecimentos, principalmente para o publico, pela presença, receptividade e obviamente, pelo sold-out da bilheteria. Relembra sua última passada pelas nossas terras, junto ao VIPER no ano passado, um show que tinha uma bagagem histórica muito semelhante a este. Dentre piadas e comentários, diz que ainda cantará muito naquela noite, pois ninguém teria hora para ir para casa e, além disso, imagens desta noite estariam sendo coletadas para o lançamento de um DVD.

Desnecessariamente lembra a tragédia em Santa Maria, porém, tem o objetivo de esclarecer que o público metal, apesar de marginalizado na sociedade, é claramente mais educado que o normal e a casa também oferece segurança, enfim, podemos sentar e nos divertir sem qualquer receio. Finaliza seu longo discurso explicando que a noite será dividida em dois atos, dos quais, em minha opinião, o segundo era certamente o mais esperado pela maioria.

As músicas executadas na sequência fazem o público vibrar e cantar muito, “Rio” e “Fairy Tale”, a segunda acompanhada de palmas emocionadas pela maioria do público, principalmente de alguns que, nesta hora, já estavam em pé em frente ao palco. Ficar contido em sua confortável poltrona seria impossível, para um fã, há esta hora. Eu estava sentado próximo aos P.A.s, sentindo como se estivesse tudo no volume máximo, porém, ao me posicionar melhor, percebi que o som ecoava perfeitamente dentro da casa. A emoção coletiva ao som de “Lisbon” era fantástica, mas não me impressiono, pois estes três primeiros álbuns do ANGRA são obras inestimáveis do heavy metal nacional. Contudo, ao ver toda essa euforia, já podia imaginar o que estaria por vir no segundo ato deste show.

Entre cada música, o front-man muito carismático, agradece muitas vezes ao público, fazendo sua parte como ídolo de muitos ali presentes e promovendo o respeito de seus fãs. Quando Rodrigo Silveira, inicia seu fantástico solo de bateria, pedindo feedback do público, este responde tranquilamente a cada batida. Um solo longo que, devido ao volume alto, unido a ressonância no teatro, que nos fazia tremer nas cadeiras, fez soar um pouco repetitivo, mas nada que tirasse o brilho de sua execução.

O momento mais divertido desta noite estava reservado para a introdução de “Living for the Night” do VIPER, quando Andre resolve dar o microfone para os fãs cantarem, neste momento pude entender por que ele está no palco e muitos outros não. A desafinação é impressionante, obviamente eu também estaria nesta lista de reles mortais que não conseguem manter o tom, mas a brincadeira foi divertida, ele mesmo tenta ajustar o tempo de um garoto, mas não havia jeito. Então finalmente decide passar o microfone em frente e, após uns três desastres, finalmente eis que surge uma moça que chegou a receber palmas. Enquanto executava esta última música que foi feita a apresentação do pessoal, obviamente que todos são velhos conhecidos do público, talvez Rodrigo, por ser o último a integrar o grupo, ou o baixista Bruno Ladislau, ainda assim, duvido que alguém não conheça esses nomes. Certo é que a dupla de guitarras Hugo Mariutti e André Hernandes já é praticamente um conjunto uniforme e inseparável em palco.

Depois de quase uma hora e meia de show acaba o primeiro ato, incrível, fiquei pensando se realmente haveria gás para um segundo ato, porém, a prova veio logo. Menos de 10 minutos já estavam em palco novamente, o que mal deixou tempo para tomarmos uma cerveja na rua, visto que não é possível beber dentro de teatro, uma lástima para o metal, mas vamos ao que interessa. Finalmente chagamos ao segundo ato do show e o momento mais esperado da noite, a execução na integra do clássico álbum lançado em 1993. Quando votei, infelizmente já estava ao som de “Carry On”, um grande erro e, portanto, decidi não arredar mais o pé, ficando completamente boquiaberto e feliz ao ouvir os clássicos que movimentaram a minha juventude. Acho que este álbum tinha tudo para ser reclassificado como Opera Heavy Metal, principalmente pelos seus andamentos que tangem a música clássica.

Aqui sou obrigado a fazer um manifesto, quero expressar meu apoio incondicional a esta ideia de comemorações, ou execução de álbuns clássicos na íntegra. Muito já ouvi que isto é uma forma de fazer dinheiro, chega disso, por favor, se as músicas foram compostas pela banda, nada há nada mais justo. Além disso, como fã é um completo deleite. Por mim, todas as bandas com mais de 20 anos deveriam fazer isto hoje, pois é a chance de revivermos bons momentos, ou mesmo vive-los pela primeira vez. Não paro por ai, ainda que unicamente sob o meu ponto de vista, depois da virada do século, não foi feito nada que realmente tenha o poder de mudar nossas vidas e nossos conceitos sobre música, como acontecia antigamente.

Muito bem, votando ao ANGRA, ou Andre Matos, já estava me sentido um pouco perdido, tamanha a sensação de nostalgia daqueles momentos. Então fomos presenteados com um solo, agora de guitarra, executado por Andre, que depois de brincar e tocar, literamente chama Mariutti ao palco. Ao entrar em cena ele produz um novo momento emocionante para alguns, ele faz uma breve homenagem ao recém-falecido Jeff Hanneman do Slayer, tocando os primeiros acordes de Black Magic, quem conhece percebe e grita de volta. Muitos solos, muita destreza, garra e energia, mas este segundo ato ocorre sem muito papo com o público, que também parece estar também em completo êxtase. Andre ainda vem ao palco com uma câmera, filmando alguns momentos do público para usar no DVD que já havia mencionado. Mariutti ajoelha-se em frente aos fãs em uma de suas interações bem representativas da energia que estas músicas passam. Mal percebi e já estava em “Lasting Child”, fechando este maravilhoso show, sem bis é claro, porém deixando todos com a sensação que o ato inteiro era o próprio bis. A banda despede-se calmamente de seus fãs e deixa marcado em seus corações o reencontro seu passado.

por Caesar Cezar de Cesar

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The King Is Back – 04/2013, um álbum no Flickr.

THE KING IS BACK

Teatro Bourbon Country, Porto Alegre/RS (30/04/2013)

Uma grande noite para os amantes do Rei do Rock, Elvis Presley, estava para acontecer no Teatro do Bourbon Country. O espetáculo “The King is Back”, interpretado por Ben Portsmouth (vencedor da 6ª.Edição do “Ultimate Elvis Tribute Artist Contest”, o maior concurso de “Elvis Covers” do mundo) e a banda “The Taking Care Elvis Band”.

É bastante fascinante quando se têm acesso somente às memórias de seu ídolo e um dia, “ele” materializa-se na sua frente, com uma perfeição em que não há como resistir, você entra no sonho, como se fosse real. Admiro artistas que fazem covers. Por sua devoção e principalmente, neste caso, pelo respeito à memória de um ídolo tão amado.

Falta um pouco mais de uma hora para o show começar, e encontro o Ben na praça de alimentação. Ele e seu fiel escudeiro/agente/apresentador, são extremamente simpáticos e atenciosos, então, aproveito meu momento tiete para tirar foto e falar sobre o show. Aguardando no hall, percebo a diversidade de gerações do público. Famílias inteiras, avós, pais e filhos vêm para conhecer e prestigiar.

O espetáculo inicia com uma série de sucessos de uma só vez, entre eles, “See See Ryder” e “My Baby Left Me”, sem tempo de respirar. Ben entra em palco trajando calça e jaqueta de couro. Ao final, brinca que está exausto, e encaixa nada menos que “Blue Suede Shoes”, para mostrar a que veio. Ele interage bastante com o público, agradecendo a oportunidade de retornar à Porto Alegre. Segue-se com uma das minhas queridinhas, “A Little Less Conversation” (canção remixada em 2001) onde o Ben faz todas as famosas “caras, bocas e dancinhas” do eterno Elvis. O público dos camarotes aproveita para balançar as cadeiras.

Ben puxa um banquinho e um violão, aproxima as cordas da banda, oferecendo um momento intimista e romântico, com “Love Me Tender”, onde nota-se o quão harmônica é a acústica do Teatro do Bourbon Country e quão perfeita é a interpretação de Ben.

Seguem-se outros clássicos ao longo do show, até um momento de grande furor. Ben fala sobre o quanto gosta de retornar ao Brasil, contando que acha as mulheres daqui muitos lindas e voluptuosas e que ele adora os quadris das brasileiras. Sendo assim, chama duas garotas sortudas ao palco, e lhes entrega maracas para tocarem junto à banda, depois, dança sensualmente com cada uma, para inveja das que estão sentadas. As senhorinhas à minha frente tiraram as palavras de minha boca, ao gritar para Ben que as escolhessem também. Ao final, as duas recebem lenços suados do rei, e muitos olhares de discórdia (risos).

Mais uma balada, e Nicole, uma de suas backing vocals, nos deleita com “Son of a Preacher Man” (Dusty Springfield), enquanto Ben troca de roupa. Nicole e “Coco” são um suporte perfeito para a banda, unem harmonia e potência de voz na medida exata.

A “The Taking Care Elvis Band” retira seus paletós, retornando ao palco com suas camisetas pretas bordadas com brilhos. Contudo, o maior brilho é sua qualidade sonora, que não falhou em momento algum, mostrando-se ótimos músicos. Mas, rei que se preze, necessita de um traje a altura. Inicia “Space Odyssey”, e Ben adentra o palco vestindo o clássico macacão branco com águias brilhantes em pedrarias, digno de majestade. Senti falta do terno brilhante, de início de carreira, pensei que ele também o utilizaria. Ben apresenta a banda.

Após mais algumas baladas e grandes sucessos como “All Shook Up”, “It’s Now or Never”, “Bridge Over Troubled Water”, “Can’t help falling in love” e “Surrender”, Ben começa a entregar lenços no qual seca seu suor, exatamente como Elvis fazia. Mulheres de todas as idades começam a se aglomerar frente ao palco, em busca de um lenço, um aperto de mão, um beijo no rosto, e até mesmo na boca, para as mais safadinhas. Estou tendo uma visão otimista, pois a verdade é que, as mulheres estavam enlouquecidas, se digladiavam como se fosse liquidação de sapatos! Pobres dos espectadores da primeira fila que receberam senhoritas as dúzias em seus colos, como eu ri.

Depois de toda esta comédia, inicia “Johnny B. Goode” e tudo fica em clima de harmonia, e as mulheres que permanecem ali, dançam animadamente. Até a brincadeira recomeçar, com Ben lançando ursos de pelúcia para a plateia, os quais também beija. Mais sucessos, como “Welcome To My World”, Ben interage a todo tempo com o público. Coloca sua capa majestosa e canta “Hallelujah”, momento muito emocionante, que leva alguns às lágrimas. Para animar depois desta, “Suspicious Minds” com muito rebolado. Ben senta ao piano e mais romance no ar com “Unchained Melody”. Só faltou “Are You Lonesome Tonight” para acabar com meus lencinhos. Para animar, “Kissy my Quick”, e eu que não sou boba, vou lá tentar dar um beijinho no Ben. Já estamos sentindo o ar de despedida, quando ele começa seus agradecimentos finais ao público maravilhoso daquela noite, seguido de “Can’t Help Falling In Love”.

Ben se retira extremamente ovacionado. Logo, retorna para o bis com mais duas canções para êxtase e satisfação absoluta do público. Finalizando, a banda completa, junto a Ben, vem receber os merecidos aplausos, segurando a bandeira do Brasil, uma linda imagem. Então o carismático apresentador do show esclarece que Ben se disponibilizará por alguns minutos no lado de fora para tirar fotos com os fãs. Parabéns a Ben Portsmouth, “The Taking Care Elvis Band” e sua equipe, Seven Entretenimento e Branco Produções. Um show sem atrasos, falhas e confortável aos espectadores. É incontrolável o chavão mas, realmente, Elvis não morreu, pois o Rock estará sempre entre nós, passando de geração em geração.

por Jocilene Nunes Farenzena

Banda Texas Hippie CoalitionBanda Texas Hippie CoalitionBanda Texas Hippie CoalitionBanda Texas Hippie CoalitionBanda Texas Hippie CoalitionBanda Texas Hippie Coalition
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Texas Hippie Coalition – 04/2013, um álbum no Flickr.

TEXAS HIPPIE COALITION

Dhomba, Porto Alegre/RS (26/04/2013)

Como descrever um baita de um show desses? Um metal pesado maligno que parece feito diretamente para os gaúchos revoltosos. TEXAS HIPPIE COALITION compareceu ao Dhomba, nesta grande metrópole às margens do Guaíba na última sexta-feira, dia 26 de abril de 2013 pra mostrar que, bairrista por bairrista, eles têm muito que ensinar.

É claro e inegável que a noite foi tomada por problemas. O lugar do show foi trocado às pressas. Muita especulação tentou explicar o real motivo e nada convenceu definitivamente esse humilde repórter. O fato é que o show estava marcado para ser no Beco e trocando de endereço na última hora. E foi para uma casa muito pequena e mal preparada para o evento. O que acabou avalanchando em um espetáculo extremamente curto, com menos de uma hora de duração.

Abrindo passagem pros caras, a banda gaúcha WISHCRAFTT detonou os gorgomilos da gurizada mostrando seu trabalho. Muito dignos dos anfitriões e com uma qualidade musical avassaladora, a rapaziada ciceroneou muito bem e botou para verter sangue das artérias públicas logo de saída. Infelizmente foram prejudicados por toda a movimentação que já descrevi. Culminando em uma apresentação curta e com uma passagem de som claramente capenga.

Por volta das 21h os confederados mais “blood-roots” que já pisaram os pés no Brasil subiram ao palco e avacalharam. Caíram os butiás do bolso de todo mundo. Com uma simpatia e fúria dignas do melhor e mais bem-afinado “Red Dirt Metal” já executado em palcos internacionais, socaram seus riffs doentios do “country-metal” goela abaixo de uma relativamente grande legião de fãs doidos pelos caras (as motocicletas customizadas abarrotavam a frente da casa noturna). Entre os clássicos e maravilhas executadas pelo THC estavam: “Turn it Up”, “Outlaw” e “Texas Tags”. Sempre usando o público como coral.

Poréns à parte, qualquer roqueiro fica de alma lavada depois de assistir Big Dad Ritch (vocal) e John Exall (baixo) liderando Cord Pool (guitarra) e Gunnar Molton (bateria) naquela barulheira rock n’ roll devastadora. Convenhamos que os últimos listados são dois fedelhos que mandam bem as ganhas.

Uma pena que tenham ocorrido tantas desventuras nesta noite tão memorável. Tomara que, mesmo assim, os caras voltem e enriqueçam mais ainda o rock no sul do país. As portas estão se abrindo e queremos cada vez mais.

Setlist

01 – Hands Up
02 – 8 Seconds
03 – Outlaw
04 – Texas Tags
05 – Turn It Up
06 – Troublesome Times
07 – Damn You To Hell
08 – Don’t Come Looking
09 – Sex & Drugs & Rock And Roll
10 – Pissed Off And Mad About It

por Fernando Tedesco